Rotina
6h30min. Pípípípí. É o celular. Despertando. Recuso-me a levantar às 6h30min de uma segunda-feira e me abraço no quentinho. O celular insiste. Ok, me levanto, mas já são 6h50min. Passo pelo espelho e a velha camiseta do Sonata Arctica (da tour de 2002) está menos amarrotada que minha cara. Sigo até o banheiro e faço o que se faz. Volto pra cama e dá vontade continuar no quentinho. Não dá. Começo a seleção de uma vestimenta. Está frio? Quente? Preciso tirar as plumas da camiseta preta. Escovo e escovo. Vejo que já não há tempo para comer ou beber algo. Pego a mochila e confiro se o básico está ali - grana, caneta, crachá, VT, VR e óculos. Beijos na minha amada e saio do apartamento. Desço um jogo de escadas, abro duas portas e já estou na Rua Osvaldo Aranha, em Montenegro. São 7h25min. Até às 7h45min tenho que estar na Rodoviária. E não é perto. Bom, uma caminhada normal até lá leva 30 minutos. Então acelero. Passo pelos estudantes do Álvaro de Moraes, do Sinodal e do São João, principalmente. Passo em frente a Viação Montenegro para tentar uma carona. Sem sucesso. Sigo. Passo o porteiro do prédio da esquina da Arte Som. Sigo. Começo a suar (o que odeio). Passo pela guria que estuda no Científico, que tem sempre o mesmo olhar. Não é linda, mas bonita. Chego na Rodoviária a tempo. A atendente do guichê já me conhece e nem pergunta para onde vou. Pago e agradeço. Entro no ônibus e o Cabecinha - o motorista - me cumprimenta. Novo Hamburgo, aí vou eu mais uma vez. Dentro do ônibus já estão o careca fumante que não sei onde trabalha, a mulher que sempre senta ao lado dele (mesmo com ele dormindo em boa parte da viagem. E de boca aberta), a tia servente e a loira grávida. Na parada seguinte entram outros rotineiros. Mais à frente a aguardada funcionária da Claro, jovem, cabelos vermelhos, sempre com um jeans justo, porém não oferecida. Mas gostosa. Ela sempre senta mais à frente, enquanto eu fico mais pelo meio. Pego o Discman. Desta vez, Helloween. Em Portão, mais uma vez a estudante de Jornalismo da Feevale chega atrasada. Pede para que o motorista a aguarde. Isso atrasa a viagem em um minuto, mais ou menos. Acabo dormindo e, quando vejo, estamos passando o viaduto da Scharlau. Ou seja, a guria de cabelos vermelhos já desceu. Pego minha passagem e fico à espreita da minha parada. Puxo a campainha do ônibus, mesmo sem precisar. "Feito", digo. "Feito guri", diz o motorista. Subo os nove degraus que ligam a BR-116 a rua Gutemberg. Sinto minha falta de forma. Ando mais um pouco, pensando em alguma música (às vezes canto). O tio da carroça arurma a carroça com uma meia dúzia de sacos pretos recheadas de papéis. Passo pelo portão principal, cumprimento o segurança. Entro pela porta dos funcionários. "Bom dia, Seu Anselmo". São 9 horas. Sono. Mas é hora de trabalhar.
- Postado por: Ronan Dannenberg às 22h07
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