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|Ronan Dannenberg| Repórter, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Namoro. Roupa preta, sorvete, Rock 'n' Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet, anjos e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor, por mais que eu não procure fazer nada para alcançar isso. BRASIL, Homem |
Aqui não julgarei culpados, mas fatos. E antes de meter o pau vou avisar que admiro os textos e as reflexões que faz jornalista Sérgi Martins nas reportagens sobre música na revista Veja. São críticas construtivas e que revelam uma realidade - às vezes notória - da música em diversos segmentos. Inclusive na ruindade.
O grosso modo, uma análise superficial diria que Martins se contém em quase que apenas evidenciar a pobreza musical que adentramos a cada dia. Mostrar a ruindade, a droga fônica, a miudez que cresce avassaladoramente na mídia. A tarefa parece ser somente dizer que, na música, só tem merda.
É verdade. Li nesses tempos a reportagem Rimas esdrúxulas em que se mostrava a pobreza dos letristas nacionais, com Pitty, Chorão, entre outros. Nem contamos o que, sim, é podre. Estamos falando do endeusado Rock. Contudo, li também outra reportagem que calcava nos malefícios que a música pode fazer, focando grupos que pregam determinadas coisas, como o racismo, o satanismo, enfim.
Acho que jugar a música através de crenças e gostos é um erro clássico. E se aproveitar de questões que, dependendo da maneira que são evidenciadas, podem se tornar alvo de repúdio popular - a tal opinião pública que não surge, se constrói - passa de crítica construtiva para crítica apelativa.
Independente do que se baseia os temas das músicas - e aqui noto que eu deveria ressaltar antes que não apóio nem o racismo, nem o satanismo, nem porra alguma - deve-se analisar a música em si. Só. É como não gostar de ouvir Malmsteen por ele ser o guitarista mais mala do universo ou como detestar Judas Priest por o seu vocalista, Rob Halford, ser gay.
Está na hora de não apelarmos e, parando com isso, não destruírmos.
Já estive no que considero o fundo do poço: a depressão. Uma época não muito distante, a qual a atrofiamento foi o principal que se abteu a este nobre cavalheiro. Bem longe disso estou vivendo hoje. Talvez, atualmente, somente uma certa insatisfação e um sentimento de que - sim - posso mais esteja em alto relevo.
Recentemente, o psicólogo Daniel Gilbert lançou seu livro O que nos Faz Felizes. A Veja publicou uma matéria sobre a obra e intitulou o texto com a frase "ilusões perdidas". É uma boa adequação. O livro - o qual me esmerarei para comprar - fala, entre outras coisas, do realismo. Gilbert afirma que os realistas (como eu) são vulneráveis a depressão.
É isso que vivo. Assim como diz na matéria, os realistas acabam fazendo um esforço enrome para encontrar o "lado bom" das coisas. Ao não encontrar... Considero o realismo uma vantagem. Deve-se, porém, dominá-lo. Acredito eu que a ferramenta que mais admiro não tenho domínio. Para isso, não vejo muitas dificuldades. Entretanto, deve ser uma tarefa que exige paciência.
E aí mora o perigo.