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|Ronan Dannenberg| Repórter, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Namoro. Roupa preta, sorvete, Rock 'n' Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet, anjos e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor, por mais que eu não procure fazer nada para alcançar isso. BRASIL, Homem |
Muitas mulheres e pouquíssimos homens (creio que gays) me chamam de machista. Em alguns pontos, admito. Exemplo? Nenhuma estatística vai me provar que o sexo feminino é melhor motorista do que aqueles que tem bagos no meio das pernas.
Na cozinha, o sexo também estabelece parâmetros. Sei que os grandes gourmets e chefs de todo o mundo são do sexo masculino. Mas não há como negar a supremacia feminina diante do fogão.
Não só no fogão, mas em toda a cozinha. Creio que somente os homens lavam louça melhor que as mulheres. No mais, comparem o pós-cozinhar entre homens e mulheres. A cozinha ou fica um brinco ou um nojo. Elas tem cuidados especiais para abrir latas (mesmo que, às vezes, peçam ajuda a nós), para cortar a caixinha do creme de leite (elas têm a paciência de pegar uma tesoura enquanto nós, homens, já estamos metendo a faca de serra, respingando por tudo), mexem a colher na panela com perspicácia e técnica, além do resultado sair em 99% dos casos, no mínimo, comível.
Ao meio-dia de ontem, sabendo que não tinha nada pronto para o almoço, inventei de comprar aqueles steaks de frango. Depois de já ter bagunçado toda a cozinha, fui fritar o primeiro. Até que saiu razoável para minha capacidade. Mas o segundo... Está até agora boiando em uma frigideira repleta de azeite, sendo que o steak virou carvão.
Sem contar que levei o triplo do tempo para digitar esse texto do que normalmente levaria. Sim, queimei os dedos.
Sem contar que, ainda ontem, fui tirar um pote de sorvete do congelador e deixei cair outro pote com sopa congelada. Bateu na canela da minha perna direita. Sangrou.
Qual é mesmo o número da telentrega do McDonalds?
Carta de um leitor publicada na Zero Hora
"Concurso"
"Não pude inscrever-me para o concurso público municipal de serviços gerais, pois não tinha segundo grau. Pergunto se é engraçado ou desgraçado o país em que se exige segundo grau para um varredor de rua e não se exige o primeiro grau para ser presidente."
Era uma noite qualquer quando eu e minha amada fomos assistir ao mais recente filme do Harry Potter. Naquela ocasião, tivemos uma má companhia. Não só nós, mas todo o restante do público que estava no cinema.
Um magrão narigudo e com luzes no seu curto e ridículo cabelo insistia em fazer uma série de barulhos e outros atos incomodativos, a ponto de irritar (e muito) esse nobre cavalheiro. Por azar dos céus, eu acabei sentando próximo ao idiota. Entre tantas outras macaquices, ele arrotou, atendeu o celular diversas vezes, ria de uma forma aguda e vibrante, contava piadas, colocava sujeira em toda parte do cinema e, ainda por cima, tentava agradar sua companheira ao lado. Ela, por sinal, era bonita e achava tudo que ele fazia muito engraçado. Controlei-me para não sová-lo.
Hoje pela manhã, durante meu rotineiro caminho casa/jornal, vi um sujeito pedalando sua bicicleta e vestindo um guardapó verde claro, sujo. Estava de chinelos e uma bermuda azul escura. As mesmas luzes no cabelo e o narigão inconfundível.
Deixei passar. Resta descobrir onde se trabalha com um guardapó verde claro na pequena Montenegro. Esse rapaz terá o que merece.
O que me encuca, também, é o Kama Sutra. Não pela incompetência confessa em praticar certas artimanhas (impossíveis para milhões, diga-se). Contudo, o método já alcançou 529 posições sexuais diferentes. Repito: 529. Friso: quinhentos e vinte e nove!
Reparem na magnitude do número. É muita posição diferente! Se fizermos sexo uma vez por dia e testarmos cada posição em cada dia, não teríamos terminado todas em um ano. Se tomarmos por base a média de relações que o brasileiro tem por semana - três - levaríamos mais de três anos para testar todas as posições.
Ok, mas qual o problema? Nenhum. O que está fincado (não resisti) é o poder criativo do Kama Sutra. 529!
Haja tempo, paciência e criatividade para isso.
A indústria fonográfica nos brinda com surpresas diariamente. Sejam elas boas ou ruins, tu gostes ou não. Obivamente que o considerado pop aliado a aura suprema da Indústria Cultural e todo a reprodutibilidade técnica tão salientada por Walter Benjamin, sem contar os poderes magnânimos da tecnologia e do entretenimento, contribuem para que obras de qualidade indiscutível e verdadeiras pragas fonais circulem pelo mundo afora.
E não é que nem o gaúcho mais bagual escapou de tamanha merda?
Hoje, existe uma verdadeira peleia entre o que é considerado música tradicionalista. Creio que, em sã consciência, não restam dúvidas. Contudo, a ascensão da "Tchê Music" é visível, voraz e estabelecida.
A imagem dos fandangos, do fole abrindo ao manejar de dedos velozes sobre pontos ou teclas, o poema sendo entoado de forma grave e vibrante, somado ao patriotismo farroupilha, se rendeu, também, aos moldes populares das pragas que vemos diariamente.
Ah, mas há que se dizer: nem toda a Tchê Music é considerada ruim. Hoje, ao meio-dia, vi o Tchê Guri se apresentar no Jornal do Almoço. O que aconteceu com o grupo se assemelha ao Metallica: se abichornaram para ganhar mais dinheiro. Usam do tradicionalismo para fazer algo que a apresentadora do programa referiu-se como "moderninho".
É bem isso mesmo: modernismo. A palavra se enquadra, pois queira ou não, existe uma evolução. Não vou discutir qualidade musical, valor tradicionalista e o que cerca as cores rio-grandenses. O que se mostra é que até a música gaúcha ganhou novos patamares (acima ou abaixo), em prol do pop.
Será que Teixeirinha imaginava isso pro futuro de nossa música?