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|Ronan Dannenberg| Repórter, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Namoro. Roupa preta, sorvete, Rock 'n' Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet, anjos e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor, por mais que eu não procure fazer nada para alcançar isso. BRASIL, Homem |
Um scrap no meu Orkut dizia:
"Reunião do Compacto. Nesta quinta, em horário a definir"
Era minha volta aos gramados. Artificiais que fossem. Comentando com o organizador do evento, meu amigo Daniel, eu não soube precisar quanto tempo eu estava afastado das peladas semanais. Acho que a última vez que joguei foi quando o time da imprensa montenegrina empatou com uma seleção de dinossauros do Olaria, de Santos Reis. Com um homérico frango do goleiro Itacir, diga-se.
Eu previa que eu correria cinco minutos e estaria sem fôlego. Que eu furaria em bola constantemente até pela ausência de lentes de contato. Nem calção para jogar eu tinha. Mas minha camiseta do Compacto estava quase intacta. O número 69 e meu nome estampado me animaram. Foda-se, vamos jogar!
O Compacto surgiu em 2000 quando um grupo de amigos resolveu fazer um time. Eu desenhei o escudo, um grande "C" em formato colegial americano com uma estrela laranja ao centro. O uniforme fiz no Fifa Soccer 99. Cores: a predominante laranja com traços pretos e brancos. Estava formado o time com Fabricinho, Toto, Rafa, Daniel, Vitinho, Sem Sangue, Israel, eu, entre outros.
A reunião não foi como eu esperava. Caras novas e estranhas se faziam presentes. Vitinho me emprestou um calção vermelho e o colete que usamos no jogo era da mesma cor. Parecia um jogador fora de forma do Internacional. Preferi começar no banco. Quando entrei, na primeira corrida, quase cuspi o coração. Suei feito um porco. Ofegante constantemente. Quase enfartei. No entanto, ainda marquei dois gols e chutei duas bolas na trave, mesmo que uma delas fosse a de meu próprio time. Os dois tentos não ajudaram muito, pois perdemos por 13 ou 14 gols de diferença.
Ao escrever isso, me sinto um bagaço. Tudo dói. Minhas pernas não obedecem e a famosa lombeira paira. Este nobre cavalheiro adora um bom futebol e uma pelada. Mas o tempo ocioso machuca.
Lothar Matthäus está tentando implantar no Brasil não somente uma técnica costumeira alemã. O atual técnico do Atlético-PR quer atribuir - mesmo que não tenha se dado conta - toda uma cultura de força que a Alemanha sempre teve, desde os primórdios, passando por Hitler e vista claramente hoje tanto na política, como na indústria e até no futebol.
Ao exército alemão, entre outros fatores, caracteriza-se por uma técnica muito aplicada e por uma força temida por outros infantarias. Conta a história que Hitler ordenava que seus homens não tivessem descanso, em nome da aplicação, da evolução técnica. "Soldado máquina" seria um termo conveniente.
Já na indústria podemos pegar o exemplo automobilístico alemão. Vejam os carros construídos lá. Não precisa pesquisar muito. Ao ver os modelos da Volkswagen no Brasil temos uma idéia de veículos robustos, fortes, carrancudos. Força e aplicação. Não é a toa que os caminhões da Mercedes Benz tem certo sucesso.
Ao futebol brasileiro, resta saber se uma acomodação perante a técnica de Matthäus será efetuada. Um dos maiores craques da história, Romário, sabidamente não gosta de treinar. E esta faceta é seguida por muitos outros jogadores espalhados pelo Brasil afora e, conseqüentemente, angariada pela pobreza de ordem que os clubes possuem.
Brasileiro gosta de pelada.
Grizotti,
Foram poucas vezes que mandei um e-mail, carta ou qualquer outro comunicado a um colega de profissão para parabenizá-lo por uma reportagem. A "Farra dos Vereadores" foi realmente estupenda. Uma matéria digna de um excelente profissional que és. Mais uma vez, a realidade fica estampada nos meios de comunicação através de teu talento. Mais uma vez, parabéns.
Fica aqui meu registro como ouvinte/leitor/telespectador e como colega de profissão.
Abraços,
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Ronan Dannenberg
Repórter

O sentimento de indignação entra nas veias até dos menos ardorosos pela política - como eu. O povo burro se submete a tais atos de verdadeiros seres de má índole. Nem comentarei aqui casos que acontecem na ponta norte de nosso amado país. Em nosso chão, terra de pampeanos guerreiros e de marcas vitoriosas perante ao que se cultivava no restante do país, vimos que não há sequer um pingo de aversão ao que se comete em vários cantos de nossa nação.
Quem aposta no fim disso é como jogar muito dinheiro no pior cavalo.
Segundo uma amiga, na Assembléia Legislativa, o Cargo de Confiança (CC) mais baixo ganha R$ 2.000,00. É grana, tchê. O cara que trabalha no almoxarifado é concursado da Assembléia. Ele passou no concurso anos atrás para auxilar de serviços gerais. Salário dele hoje: R$ 15 mil. 15 MIL CONTOS! Além disso, cada gabinete conta com cerca de 20 pessoas "trabalhando", cada uma ganhando mais do que R$ 2.000,00. Todos sabem que não há serviço para tanta gente.
Como a minha amiga disse: "é bizarro, mas o mundo dos legiladores é onde menos se aplicam as leis". Chega a ser ridículo. O roubo está mais escancarado do que nunca e ninguém sequer dá jeito de esconder. Tudo às claras, por incrível que pareça.
Os esforços para assistir uma formatura de um amigo são nobres processos aos quais estamos acostumados. Cada uma consiste num episódio novo. Foi assim em todos que fui nos últimos tempos. Já vi formaturas ao lado de minha família, ao lado da mestra Luíza Carravetta, ao lado de amigos, de minha amada e vendo minha amada recebendo o diploma.
A verdadeira saga que executei na última semana ao lado de outros nobres guerreiros e damas contava com material suficiente para um filme. Foi uma semana de ligações, planejamento, desespero, felicidade e comoção. O objetivo era de estar presente na formatura de dois grandes amigos, Tariq e Emerson, este último mais conhecido como Sr. Hermos.
O plano era simples: iríamos com L.U. até a Unisinos e voltaríamos com ele. No entanto, L.U. decidiu inserir-se na van dos Oliveira (família de Sr. Hermos). Plano A ao léu. Sem transporte, montei um verdadeiro plano de ação para conseguir algum meio de ir à formatura. Então, comecei a consultar amigos e amigas. Uma delas, C.D. Ela sairia mais cedo do trabalho, em Porto Alegre, viria até Montenegro, pegaríamos o carro de sua mãe e, enfim, iríamos para a formatura. Na volta, ela passaria em uma recepção. Mas isso não seria problema. A meta de ir até a formatura de Sr. Hermos estava se consolidando.
Porém, C.D. recebeu a péssima notícia de que teria que trabalhar. Não chegaria a tempo na formatura. Nisso, comecei a convencer meu pai de emprestar o carro.
- Olha, tchê... Se eu ficar liberado na quinta, eu já vou para praia... aí não dá.
Sempre torcemos a favor de nossa família. Entretanto, desta vez, nunca torci tanto para que meu pai não se liberasse. C.D. conseguiu carona com o namorado. Iria direto de Porto Alegre.
Já era sexta-feira, dia da formatura, e ainda não tínhamos como ir. Já com nossas senhas repassadas a dois integrantes da van, nosso desafio se tornou ainda maior. Devíamos chegar cedo, pegar um bom lugar na fila dos sem senha. Meu pai liga:
- Não vou mais. Pode vir aqui pegar o carro.
Great! Enquanto minha amada preparava as indumentárias sociais para a ocasião, eu agilizava contatos para dizer que, de minha parte, o transporte estava resolvido. J.V. e outros me ligaram. Minha amada correu para a parada parecendo um cabide humano. A encontrei e pegamos um ônibus rumo à casa dos meus pais. A formatura começava às 21 horas e já eram 19h15. Lá, nos arrumamos como The Flash, saímos e VOAMOS em direção a São Leopoldo, Unisinos, Anfiteatro Pe. Werner. No caminho eu cuidava para soar o menos possível enquanto minha amada duelava com o estojo de maquiagem, que insistia em ficar atrapalhando o processo a cada balançar do carro.
Méritos! Conseguimos chegar cedo. Encontramos diversos amigos e colegas. Ficamos na fila na frente de uma senhora que criticou o fumar de minha amada. Adentramos, já nervosos e negociamos lugares no lotado anfiteatro.
A surrealidade inicia. Muitos "nãos". Durante a entrega do canudo a Sr. Hermos, minha amada entoa um sonoro "nããããããão". Na saída, encontramos J.M. gravando tudo. Muito surreal. Mais em frente, mais "nãos". Abraços, comoção, pais orgulhosos do filho, enfim.
Para comemorar nosso esforço, eu e minha amada fomos até uma pizzaria. Lá, estava se realizando uma recepção. Mas não fomos convidados e nem sabíamos quem era o novo jornalista. Nos acomodamos e nos alimentamos. No dia seguinte, ainda teria o churrasco de Sr. Hermos. Mais "nãos" e um vídeo matador.
O legal de tudo foi que tudo se encerrou através de uns dizeres que o avô do novo jornalista, o Seu Ady, proferiu a este nobre cavalheiro.
- Mais vale um abraço bem dado para felicitar uma conquista do que um mero presente.
Não por menos era um gesto simples que resumiria tudo o esforço. São nobres processos aos quais estamos acostumados. E um dia alguém fará isso por mim.