|Ronan Dannenberg|

Repórter, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Namoro. Roupa preta, sorvete, Rock 'n' Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet, anjos e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor, por mais que eu não procure fazer nada para alcançar isso.
BRASIL, Homem






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Milagres e estilos

Escrito por Juremir Machado da Silva (colorado) e publicado no Correio do Povo

O Internacional é um time de pobres. Nós. Nunca terá convicções de gremista. São duas visões de mundo. O Grêmio é a cara do Rio Grande: arrogante, fanfarrão, pachola, varzeano e, por isso mesmo, capaz de se impor e de vencer em qualquer situação. O Inter, como qualquer pobre de caricatura, está sempre meio envergonhado, vai logo dizendo, 'desculpe qualquer coisa', intimida-se com facilidade. Na casa dos ricos, tem medo de sujar o sofá.

Como todo pobre complexado, quer jogar bonito, ganhar com elegância, mostrar boas maneiras. O Grêmio, como rico prepotente e seguro de si, não está nem aí para os bons modos: quer é resultado, a qualquer preço. Ao ser roubado, contra o Corinthians, Tinga já levantou se explicando. O Inter discutiu  durante três minutos e acatou a decisão do árbitro. Já em Recife, os  jogadores do Grêmio peitaram e chutaram o juiz, criaram um clima terrível, condicionaram tudo e levaram varzeanamente o resultado. O pênalti deveria ter sido batido novamente, pois o goleiro gremista se adiantou. Mas o juiz já estava apavorado, louco para expulsar alguém do Náutico e se ajoelhar diante dos gremistas. Acho que Anderson cobrou a falta para ele mesmo na  hora do seu gol impossível. Que importa? O Grêmio já tinha vencido a batalha  da 'catimba'.

Existe um inconsciente esportivo. Quando o jogador chega ao Olímpico, assimila um passado de rico dono do mundo, de quem inventa o  próprio marketing e o transforma em verdade. No Beira-Rio, o atleta vira um sonhador. O Inter, quando ganha, faz obra-prima, como em 1975 e 1976, ou algo inédito, como o campeonato invicto de 1979. Mas isso é raro e fora de  moda, do "tempo em que se amarrava cachorro com lingüiça", como diria o  filósofo Felipão. O Grêmio é um investidor neoliberal que não se preocupa com estética e, se compra quadro, é pelo valor de mercado. Não falo de ser rico, mas de ter uma atitude de dominação e de mando. Paradoxalmente, castilhismo, gremismo e petismo representam esse espírito de arrogância tipicamente gaúcho. Maragatos, colorados e excluídos encarnam esse idealismo romântico e estetizante dos pobres ou ricos com sensibilidade poética.

Como houve milagre em Recife, o Inter não foi beneficiado pelos céus no domingo. Pois Deus seria acusado de beneficiar os gaúchos e poderá ser chamado a  depor numa CPI sob suspeita de 'mensalão'. Além disso, só o Grêmio é imortal.



- Postado por: Ronan Dannenberg às 18h51
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As escolhas que um homem faz

Há tempos eu tinha escrito sobre isso e cada vez mais, principalmente atualmente onde vivemos em mundo comportamental praticamente livre de ditaduras impostas por nós mesmos, o fato se confirma e se adapta aos homens. Eis então, o texto:

O homem é diferente da mulher em uma série de aspectos e isso ninguém duvida. No entanto, uma das questões mais intrigantes está ligada ao instinto. E ele está ligado diretamente ao sexo.

Desse ponto, não vou me interar das questões homossexuais, das quais não sei quase nada a respeito e nem pretendo saber. O ponto é que o instinto comanda as ações do homem e o pudor, a voracidade e o desejo carnal motivam muitas decisões.

O incrível é que a grande maioria dos homens tem dois caminhos a seguir. Ou ele se perpetua através do amor, do carinho e do afago diário, ou se joga na podreira, no estilo "eu vou comer quem eu quiser". E o problema está aí: a escolha. A grande maioria dos homens (e já explico o porque não sua totalidade) fica nesse conflito diário. Ao escolher um, sentirá falta do outro. É normal.

Isso tem acabado com a vida de muitos homens que, mesmo diante desse conflitos normais, não conseguem lidar com o problema. Qual homem nunca foi xingando por sua parceira por simplesmente ter desviado o olhar por segundos a outra mulher? Como explicar que "os peitos da menina me chamaram a atenção, querida..."? E como chegar para a parceira e dizer: "olha, eu vou comer uma ali na esquina e já volto". Jamais! Ou se tem um ou o outro. E, caso alguém tenha os dois, simplesmente acha que tem. Isso não existe, pelo menos para essa categoria.

E nessa merda toda as mulheres entram em surto, pois não entendem o universo masculino (e, claro, muito menos os homens entendem o universo feminino). Até porque o homem, sim, é cachorro. Pelo menos 99%. Fala, pensa e age de maneira desrespeitosa não só com o sexo oposto e sua companheira, mas com seu próprio e incontrolável sentimento. O homem se fere emocionalmente em busca de satisfazer o mais voraz instinto. E machuca àqueles que o rodeiam para esse benefício. Um atropelo fatal, sem importar-se com a dignidade e a hombridade (ah, essa qualidade quase que está extinta).

Não diria feliz, mas pelo menos livre desses problemas está somente um tipo de homem. Este tem um status sócio-cultural-financeiro suficiente para ter os dois. Ele pode ter uma linda mulher que o ama em casa e, ao mesmo tempo, se servir das mais variadas formas de pecado a hora que quiser. Isso é para poucos, mas existe. E conheço (pelo menos de vista) de quem tem esse potencial.

Ou seja, caros homens: não adianta ficar numa mágoa e num conflito interno por não estar satisfeito com um ou outra escolha. O importante é ter consciência da escolha que fez e, diga-se, estar ciente de que um dos dois TEM de ser o melhor.

P.S.: Alguém já deve ter se perguntado durante o texto se estou bem com minha amada. Sim, estamos. E breve um ano de namoro está por vir. : )



- Postado por: Ronan Dannenberg às 09h38
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Salve o Corinthians e todo o futebol nacional

Sou gremista e, pelo menos agora, vou fazer um comentário isento de clube, facção e qualquer outra ideologia voltada a uma camiseta. Falarei sobre o futebol.

O esporte mais querido do mundo, o que mais emociona, leva multidões aos estádios, padece no Brasil. Vergonha pura. Idiotice e estupidez escrachadas. Roubo (sim, roubo, Sr, Zveiter). Frustração, corrupção e irresponsabilidade.

Nada mais justo e bonito o que os jogadores do Inter fizeram ontem. Comemorem, caros colorados. O título, realmente, deve ser de vocês. O que o time gaúcho foi garfeado em todo o campeonato é algo de se registrar queixa até no Procom!

O futebol nacional cada vez mais afunda. Mergulha em interesses nem tão obscuros (alguém desconfia de um dinheirinho dado pelo Sr. Kia a alguém da CBF?) e se coloca em patamares vergonhosos.

Falei uma vez isso. Acho que vale a pena morar na Inglaterra e torcer pelo West Ham. Aqui, o esporte é viciante e contagia. Porém, já ultrapassou os limites da vergonha há tempos.



- Postado por: Ronan Dannenberg às 09h25
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