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|Ronan Dannenberg| Repórter, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Namoro. Roupa preta, sorvete, Rock 'n' Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet, anjos e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor, por mais que eu não procure fazer nada para alcançar isso. BRASIL, Homem |
A confiança é um fator que traz até proporções dúbias.
Às vezes temos ela perante a alguém para trair outro ou algo. É um conjunto de absurdos comuns. E que se tornam necessário para uma hamornia.
Confiamos em um para trair o outro. Troço contraditório esse.
O problema é que a confiança passa por caminhos espinhosos, que, inevitavelmente, estão sujeitos a machucados graves e não esperados.
Essa semana foi difícil, até por isso não coloquei nada aqui. A confiança me traiu, me surpreendeu, me tornou mais forte e fez me refletir ainda mais.
O ingresso mais barato para conferir o Pearl Jam era de R$ 90,00. Caríssimos R$ 90,00.
Um amigo meu, fã da banda, disse que o dinheiro investido vale pela emoção. Não discordo. Já fiz loucuras maiores para ver o Iron Maiden, por exemplo, com um pedaço do mesmo motivo.
Contudo, o que debato são os R$ 90,00. É muita grana. Ainda mais para ver uma banda finada, sustentada em três ou quatro clássicos de um único bom disco.
R$ 90,00 eu paguei para ver o Iron Maiden em São Paulo, em 2004. Paguei mesmo. Aquilo sim foi um show. Teatral. Não por ser Metal. Pois vi, aqui, recentemente, um tal de Arcade Fire que me surpreendeu, sucumbido a pífia sonoridade do Strokes. Outro puta show. Mas esse eu não paguei. : )
Agora, vimos que o Rio Grande do Sul é realmente roqueiro (independente do grupo e/ou estilo). Foram contabilizados cerca de 12.000 pessoas no Gigantinho, ontem, para ver o Pearl Jam. Se todos compraram ingresso de R$ 90,00, o dinheiro bruto que foi efetuado ontem foi de R$ 1.080.000,00.
Lucro garantido.
Logo após o jogo, abracei minha amada e corri para o Centro de Montenegro. Centenas de torcedores já estavam lá, comemorando. Aguardei até passar alguém conhecido. Meu primo Elton e meu tio Rivaldo aparercem com um Gol azul, com a bandeira do tricolor e o Hino do grêmio tocando no bem equipado sistema sonoro do veículo. A bandeira tricolor tremulava enquanto uma carreata jamais vista na cidade era realizada. Concentração no bar dos gremistas, o Hyper.
O fato é que o que se comemorou não foi um título, uma conquista. Foi a volta a normalidade. É como uma família felicitar alguém que saiu de um coma após um ano de sofrimento. Não foi uma vitória. Trata-se de uma missão que deveria ser cumprida. Uma obrigação.
E como a torcida entoava em todos os jogos: "Voltaremos, voltaremos... voltaremos outra vez..."