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|Ronan Dannenberg| Repórter, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Namoro. Roupa preta, sorvete, Rock 'n' Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet, anjos e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor, por mais que eu não procure fazer nada para alcançar isso. BRASIL, Homem |
O povo queria mudanças e ela estava ligada à esquerda. O movimento tinha vários atributos, mas nenhum tão forte como o Partido dos Trabalhadores. E, depois de várias tentativas, Luiz Inácio Lula da Silva deu um banho na direita e conseguiu uma vitória esmagadora rumo à presidência da República. No entanto, a utopia da esquerda acabou. A mesmice de todos os governos atingiu também a tão conservadora e radical esquerda, com a denúncia de que o PT faz o que todos lá em Brasília fazem: corrupção.
O fim da esquerda no Brasil pode não se dar através desse fracasso ideológico que Lula e seus fiéis companheiros – ou nem tanto – trouxeram com suas próprias mãos. Ainda restam movimentos, conceitos, defensores e até partidos com o estilo esquerdista de ser.
No entanto, talvez a esquerda nunca esteve tão fraca e demente no país. O que esperar de fraquíssimos PSTU e PC do B? E os sindicalistas, que conseguem somente vitórias mediante a rendições perante acordos que nunca agradam os trabalhadores? Não ousemos falar do movimento estudantil, que padece perante a mente fraca dos estudantes de hoje, mais interessados em não saber do que lutar por causas.
Agora, toda esquerda que se concentrava em levantar a bandeira vermelha com a pomposa estrela amarela ao centro, migrará para o quê? O PT pode não ter deixado de ser esquerda, mas teve sua ideologia de não-corrupção – entre outras – jogada às traças com as denúncias que assombram o país. PSTU e PC do B, por exemplo, defendiam a aura petista, que simbolizava a esquerda. Farão o quê? Ostentarão-se em que força?
A resposta deverá vir nas próximas eleições. É bem provável que a força da direita seja esmagadora, recheada de argumentos que detonarão os adversários com até facilidade. A esquerda deverá, ainda, estar calcada em um partido muito enfraquecido, principalmente por criar um mal inesperado. “No meu partido, não há corrupção”. A frase mais proferida por Lula em todas as campanhas agora é motivo de piada.
Os 25 anos do PT no Brasil foram suficientes para uma crescência avassaladora da sigla, fato que fica, sem sombra de dúvidas, marcado na história política e social do país. Porém, a grandeza caiu na tentação de ver tantas verbas dando sopa, a mercê de um esquema mais do que horrendo. Talvez, nem mais 25 anos serão suficientes para que a sigla volte a ter o crédito que tinha nas ruas, nas passeatas, nas conquistas sindicalistas e junto aos estudantes.
A esquerda jamais morrerá. Contudo, com que forças ela virá a partir de agora? E com que idéias? Os mais fracos continuarão ao lado do forte que traiu seu próprio conceito? Seja de que forma for, morta a esquerda não virá. Doente, talvez.