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|Ronan Dannenberg| Repórter, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Namoro. Roupa preta, sorvete, Rock 'n' Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet, anjos e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor, por mais que eu não procure fazer nada para alcançar isso. BRASIL, Homem |
1. A máquina de lavar começou a vazar. Molhou muita coisa, inclusive a área encarpetada.
2. Bate sol. Mas demais.
3. O apartamento é quentinho. No inverno, que beleza... mas no verão...
4. A cortina do chuveiro é tarada. Tenta me agarrar todo dia.
5. Os vizinhos já bateram na parede.
6. A TV não pega direito.
7. A estante de ferro parece que vai cair a qualquer instante.
8. Não há lugar para pendurar roupas ou toalhas de banho no banheiro.
9. O ventilador de teto bate no guarda-roupas.
10. Não posso escutar meu som muito alto.
Hehehe... mas, enfim, sabe que tudo isso é muito divertido? E olha que vai melhorar. Ou seja: lar doce lar no sentido mais literal da frase está a caminho.
Nem eu imaginava que passaria por algo assim um dia. Eu, um defensor de um trânsito organizado e de motoristas extremamente cuidadosos, ágeis e de técnica apuradíssima – e vide que nem falei do machismo que impera nesse quesito, o qual possuo e não nego, pois nenhuma estatística vai me convencer de que mulheres dirigem melhor do que os homens – não posso tolerar que um taxista não saiba quando se faz necessário usar um dos acessórios mais banais de um veículo: o freio de mão.
Poderia ter sido uma tragédia se eu, o usuário, não tivesse tido o reflexo imediato e murrinha de salvar tanto a mim como a meu colega de trabalho.
Primeiramente, é inadmissível que, mesmo em uma cidade como Porto Alegre, o taxista não saiba onde é o local de destino a qual o usuário deseja. E assim começou. Eu e meu colega adentramos no táxi, em plena Rodoviária, dispostos a ter uma tarde de descanso para uma jornada de trabalho extensa à noite, onde cobriríamos um festival de música. Informamos o destino ao motorista mal vestido, mal cheiroso e com uma touca de muito mal gosto. Ele pára, desce do carro para perguntar a colegas onde fica tal local.
Perguntou para três e um pareceu dar uma dica de onde poderia ficar. Algo mais simples que Comendador Caminha, 42, esquina com a Mostardeiro e próximo à Goethe? Enfim, o cara e, pelo jeito, outros três, não sabiam.
E o rapaz era um péssimo motorista. Até um senhor de aparentes 70 anos fez um gesto chamando o taxista de barbeiro. Ele olhava no retrovisor descuidando totalmente do que estava a sua frente, fazendo que freadas bruscas fosse uma constante durante todo o percurso.
Ao chegar na Mostardeiro – depois de muita batalha –, cheguei a dizer que o hotel para onde iríamos possuía uma frente envidraçada em azul. Ele avança, avança, pergunta para uma série de pessoas, e ninguém sabe onde fica o maldito hotel. E passamos por vários prédios com a característica citada. Eis que ele pára na frente de uma lanchonete, onde está um motoboy. Sim, os motoboys devem conhecer.
O taxista desce do carro e, simplesmente, deixa ele sem nenhuma marcha engatada e tão pouco aciona o freio de mão. Como era uma ladeira, o carro começa a descer. Mas pouco! Por sorte, meu colega entoa um “olha o que o cara fez!” e eu, imediatamente, puxo a alavanca do freio de mão.
Onde já se viu? E o motorista volta para dentro do veículo como nada tivesse acontecido. Nem deve ter percebido que, se eu não tivesse feito aquilo, derrubaríamos a moto do motoboy e desceríamos lomba abaixo, caindo na Goethe.
Ao mesmo que ríamos da bizarrice presenciada, fazíamos uma avaliação de quanto somos motoristas ruins. O que os CFC’s andam ensinando? Imaginem quantos desses andam por aí! E taxistas! Quem é a pessoa que libera um táxi a um condutor como o que nos levou?
Ele deu a volta pela congestionada Goethe e nos deixou, enfim, no destino. Lá, avaliamos que ele tinha passado pelo hotel e não percebeu. O preço da corrida ficou maior, pela demora e pela distância desnecessária. Pagamos mais e nos atrasamos por nada de especial.
Quando fui embora, no dia seguinte, fiz questão de ser enfático ao recepcionista do hotel:
- Chame um táxi. E dos bons, por favor.