|
|Ronan Dannenberg| Repórter, músico, crítico, pensador e gremista. Planejo, estudo e enrolo. Namoro. Roupa preta, sorvete, Rock 'n' Roll, dinheiro, espelhos, futebol, mulheres, amigos(as), conversa com fundamento, conversa sem fundamento, sexo, Heavy Metal, compras, internet, anjos e frio. Nunca estou satisfeito com nada e procuro sempre o melhor, por mais que eu não procure fazer nada para alcançar isso. BRASIL, Homem |
Amo o jornalismo, mas não gostaria de me submenter a fraqueza da categoria. Como meu amigo Leandro Molina afirma, hoje é cada um para si. Contudo, nobre amigo, acabo não sendo otimista. Sei que não é impossível e que a categoria deve, sim, lutar por melhorias. No entanto, não me vejo esse homem que luta por uma coisa que já sente perdida.
Pelo menos, para mim, terei de buscar um novo mundo. Egoísmo? Talvez. Se for, não estou sozinho no barco.
Há tempos que o Jornalismo vem provocando preocupações nos profissionais da área, os jornalistas. Uma soma de decepções que vão desde a desvalorização profissional até a pobreza da categoria. Nesse emaranhando de situações, os bons perdem a ilusão de que a profissão é importante, o dinheiro nem tanto. Isso, se ela, pelo menos motivasse.
O problema está em uma questão levantada no blog de um grande amigom, Leandro Molina, o Full Time, no post "O que querem os jornalistas?". Em resumo, Molina coloca a discordância de objetivos em que os profissionais da área se encontram.
Acrescento que isso acaba enfraquecendo a categoria. Não somos jornalistas tão fortes como os bancários e os metalúrgicos são. Nosso sindicato, por exemplo, é um exemplo de inexistência. E nós mesmos acabamos por aceitar o que é imposto e ainda, simplesmente, nos indignamos sem mover um dedo ao ler vetos e medidas que acabam colocando os profissionais da área cada vez mais dentro de uma escuridão.
A desilusão pode ser medida no salário. O piso de um jornalista que trabalha no interior é de R$ 923,00. Pedreiro (não desmerecendo sua profissão) ganha mais que isso. São anos de estudos, investimento pesado, conhecimento acadêmico e científico na área da comunicação para não sermos recompensados nem na conta bancária e muito menos na profissão em si.
O tema é amplo e aqui não me estendo. Talvez comente algo em posts, mas estampe os problemas vividos por nós. Enquanto isso, o negócio é ir pensando em um jeito alternativo (que pode virar definitivo) de viver a vida.
Não adianta o choro. Os gremistas passaram a semana toda buscando esperanças de ver uma derrota colorada. Que o Abel Braga é só vice, que o Clemer não falhava faz tempo, que isso, que aquilo... Até os colorados, como são, temiam o pior, em suas manias de encontrar resultados antes do tempo. E, caralhos, o Grêmio já tem duas Libertadores!
Além de ter um ótimo time, o Internacional contou com a sorte. E que sorte! Não pegou nenhum time argentino e nenhum de expressão dentro da Libertadores (a não ser o São Paulo). Já o time paulista, que tem um excelente elenco também (senão melhor), ou fez cagadas nessa final (méritos também para Buricy Caralho, que perdeu o duelo com Burrel Braga) ou teve um azar tão grande que não contou com Ricardo Oliveira para a partida de volta e ainda teve um acidente que vitimou seu terceiro goleiro reserva, entre outros resultados de mandingas que deram muito certo.
O Inter conquista a Libertadores com méritos. Nas finais jogou com maestria. O título implica em diversos aspectos, inclusive mudar cantorias e flautas do torcedor rival. São coisas que hora ou outra chegam. Vai meio que desmanchado para o Japão (a não ser que remonte o time), mas ainda com chances de ganhar o título munidial.
Isso graças à preparação antecipada de Perdigão, que treina intensivamente para marcar Ronaldinho (ô merda!!!).
O Estado do Rio Grande do Sul está passando por uma grave crise financeira fruto da incompetência de nós sabemos quem. Ok. Isso vem prejudicando os mais variados setores. Ok. A crise se estende ao bolso, ao trabalho, a vida do gaúcho. Ok. Mas acho que nada se equipara a Educação.
A rede de ensino do Estado acaba sofrendo com a crise. Até agora, três meses de repasse das já mínimas verbas destinadas às escolas estão em atraso. Resultado: prateleiras vazias, falta gás, não há material escolar (como uma simples folha de ofício), não há material de limpeza, entre outros. Isso faz com que as instituições tenham qye fazer verdadeiros marabalismos, e até usar dinheiro do Conselho de Pais e Mestres (CPM) para arcar com custos como água e luz, o que é totalmente ilegal.
Contudo, fiz um levantamento nas escolas de Novo Hamburgo e constatei que a grande maioria faz, praticamente, pouco caso do assunto. As direções ou não sabem quanto o Estado está devendo, ou não sabem como saber quanto o Estado está devendo, ou simplesmente não se interessam em saber. Além disso o próprio Estado não sabe quanto deve.
É a total falta de controle. O famoso "levar nas coxas". Como garantir que seu filho tenha uma educação decente visto que nem tirar um extrato no banco essas pessoas sabem? Ou pelo menos não têm a mínima vontade de fazer!
É a imagem da Educação do Rio Grande do Sul. A conseqüência é a formação de cidadãos sem poder crítico, ignorantes, reféns de uma formação psico-profissional, sócio-cultural que acaba colocando o Poder Público em vantagem diante da pobreza dos novos populares que estão se formando. É a forma de tolerar tamanha falcatrua, tamanha indigestão vista a cada minuto em nossos telejornais.
É a merda.
A Veja publicou esta semana uma reportagem que estampa uma das maiores precariedades musicais dos últimos tempos, o Reggae, e que vem recebendo signifcativa contribuição para ficar ainda pior. Entre os citados na matéria, estava Armandinho.
Ainda no Jornal Ibiá, eu o entrevistei por telefone no dia 25 de junho do ano passado, uns dias antes dele fazer show em Montenegro. Introduzi a conversa sobre seus trabalhos, hits, shows, enfim, um papo bem bizz. Contudo, não tive como não questioná-lo sobre outras cocitas, mesmo que de leve, como a pobreza de suas composições. Segue (e ele fala cada coisa...):
Tu esperavas vender mais de 50.000 cópias do primeiro álbum?
Armandinho – Cara, certamente que não. Na verdade, eu não tinha noção de nada na época, não tinha noção do público que ia atingir. Foi uma surpresa muito grande. Isso tudo me coloca numa situação complicada. Tu estourar não é o mais difícil, o mais difícil é te manter. Então acabei me colocando no compromisso de fazer um segundo disco tão bom quanto foi o primeiro.
E como estão os resultados do segundo álbum?
Armandinho – Estão muito bons. Eu demorei um pouco para gravar o segundo álbum devido a esses cuidados de fazer um disco tão bom quanto o primeiro. Achava que o espaço de um ano seria muito curto. Pois, como foi uma loucura, shows e viagens, eu não tinha mais clima para fazer música. O segundo disco vai superar esse primeiro álbum. Pelo menos, é o que as pessoas me passam, que está tão bom quanto.
Teu começo foi em bares de Porto Alegre...
Armandinho – (Interrompendo) Sempre fui "botequeiro". Sempre gostei e até hoje gosto. Infelizmente, hoje não posso mais, pois tenho um contrato com a banda. Então, não posso mais me apresentar acústico. Mas eu acho que essa experiência toda que eu tive nos barzinhos me fez dar mais valor para o público. Esse corpo a corpo dos barzinhos fez com que eu encarasse um evento de 100.000 pessoas do mesmo jeito que eu encarava um bar com duas pessoas.
Como podemos definir o som do Armandinho?
Armadinho – Na verdade, eu não me enquadro em nenhum estilo. Eu acho que o Reggae, o som que eu faço, não é parecido com a música de ninguém. Eu acho que criei uma identidade própria. Minha voz não é parecida com de ninguém. Procurei não imitar.
Então existe uma característica de originalidade?
Armandinho – É. Então, não tenho grandes influências fortes no meu trabalho. É um pouco de cada coisa. Pelo fato até de estar anos em barzinhos e tocar músicas de todo mundo, fez com que eu gostasse um pouco de tudo. Acho que música é momento. Acho errado alguém dizer que gosta só de Rock, ou só de Reggae, só do Hard Core, enfim. Isso se chama preconceito. E uma das coisas que eu não tenho em mim e na minha música é isso.
Aproveitando que tocaste nesse assunto, um de teus sucessos é a música "Folha de Bananeira". Nunca houve nada em termos de apologia relacionados a essa composição (Refrão: "Fuma, fuma, fuma, folha de bananeira. Fuma na boa, só de brincadeira")?
Armandinho – A música tem um duplo sentido. Uma época, no litoral catarinense, uma turma de pescadores que ficavam perto de onde eu veraneava, em Garopaba, brincavam que a folha de bananeira tinha um poder afrodisíaco, pela semelhança da banana com... bem, enfim... Então a música fala exatamente isso, que a folha é boa, "é a vacina e eu fumo na boa só para pegar as meninas". Só que, é claro, acabou atingindo um outro público (risos). Na época, eu não tinha noção de quanto os jovens iriam se identificar com meu trabalho.
Isso vai ao encontro do que tu disseste anteriormente de que não tinhas idéia do sucesso que alcançarias.
Armandinho – É, eu não tinha noção. Então eu acho que esse segundo disco serviu para eu arrumar um pouco isso, pois, no momento que tu se torna um ídolo de uma geração, tu és responsável pelas coisas que tu fala. Resolvi, então, no segundo disco, mudar um pouco essa imagem. Na realidade, quem só escuta a música "Folha de Bananeira" tem uma idéia do meu trabalho. Mas depois tu escutas as outras músicas e tu vê que não, que o eu sou um cara romântico, que eu acho muito legal a sensibilidade que as meninas têm e o jeito que as meninas namoram. Eu sou uma pessoa muito sensível, romântica. Eu acho que isso falta um pouco nessa geração de hoje. Acho que temos que ter rebeldia, mas não podemos perder o romantismo, que é a essência da vida e da reprodução humana.
Aproveitando o gancho do romantismo, a terceira faixa do novo álbum chama-se "Paulinha". Quem é ela?
Armandinho – Paulinha é uma namorada que tive há um tempo. Foi uma pessoa que me incentivou muito numa época que eu estava por deixar de ser banda cover e tentar arriscar um trabalho de música própria. Passou. Hoje ela é uma lembrança e dessa relação ficou essa música que é muito legal que eu tenho muito carinho por ela.
Na tua opinião, a que se deve o fato de tuas músicas fazerem um sucesso tão grande nas rádios?
Armandinho – Eu faço música para o público, não faço música para músico. Eu acho que o conhecimento dos músicos é muito complicado e difícil para as pessoas que são leigas absorverem. Sei que alguns ficam de nariz torcido em relação ao meu trabalho, pela simplicidade que as músicas e as letras possuem. Mas, quando eu abria aquelas revistinhas de violão, eu sempre tocava as mais fáceis. As mais difíceis eu virava a página (risos).
Como tu vês o cenário musical jovem no Rio Grande do Sul hoje?
Armandinho – Eu acho que as bandas têm que se desprender um pouco de seus ídolos. Eu acho que essa história de tu querer imitar qualquer artista não é legal. Acho bom pegar como ensinamento, mas deixar que tua alma fale mais alto na hora de tu fazer a tua música. Isso falta um pouco. As bandas se baseiam muito em seus ídolos e deixam sua essência de fora. No momento em que começarem a ser elas mesmas, isso vai tocar mais as pessoas.
Quais são os próximos projetos de Armandinho e Banda?
Armandinho – Olha, cada dia é um degrau que a gente sobe. Sonhos temos vários. O projeto maior é aparecer na mídia no centro do país nos programas de televisão.
Em relação ao show, o que o público de Montenegro pode esperar?
Armandinho – Podem esperar o show de lançamento do segundo disco. Claro que as músicas do primeiro álbum não podem ficar de fora, se não eu apanho (risos). É basicamente o show de lançamento do segundo disco (nesse momento Armandinho fica pensando). E tem o palco novo. Quem assistiu meu show há dois anos atrás vai sentir a mudança. Montenegro faz parte da minha história. Sempre fui bem recebido. Esse show eu dedico a todas as pessoas que curtem o meu trabalho. As que não curtem eu faria um convite a assistir, pois tenho certeza de que vão se surpreender e vão mudar a opinião ao meu respeito.
David Coimbra, jornalista o qual tenho admiração somente em suas análises voltadas tão e exclusivamente ao futebol, afirma que gosta de analisar o esporte como filosofia, por tudo que o cerca, com pitadas de sociologia.
Coimbra, talvez, tenha visto como outros jornalistas e demais pessoas a tristeza que é capaz de fazer uma torcida (ou alguns poucos membros dela) por doses intermináveis de burrice em suas veias. O futebol que Coimbra gosta de analisar eu também gosto. E ele deve sofrer somente o tanto quanto eu se for gremista ao ver fatos como o do último Gre-Nal.
É pífio, injurioso e inemérito a atitude de torcedores. Não se entende a mistura de futebol com violência, com vandalismo e com marginalidade. Não é possível que essas pessoas possam ser tão burras ao ponto de cometer tais atos. E, além de cometê-los, comemorá-los. A torcida tricolor queimava os chamados banheiros ecológicos como se fossem cada gol conquistado. Era sim um danoso obstáculo contra o esporte. Idiotice.
E o pior que esse tipo de gente estava em toda a parte. Eu estava olhando um jogo num bar ao lado de um amigo. A cada "feito" dos ditos gremistas nas arquibancadas, a turminha do fundo comemorava, cantarlolando os gritos de guerra entoados constantemente na Geral do Estádio Olímpico. São coisas odiosas (né, Coimbra?), os ditos acontecimentos que não só o futebol deveria se ver livre.
É uma asneira que jamais cessará. Isso é reflexo do empobrecimento que os torcedores têm ao encarar o esporte. É o reflexo de uma sociedade marginalizada, que acha bonito as pessoas vandalizando, escutando músicas pobríssimas, vendo programas horrendos, usando de uma cultura fraca e daninha, o que fortalece tão somente um rótulo de pobreza o qual temos.
Torcemos Coimbra e eu (além de muitos) por que alguém, um dia, tenha poder e coragem de puxar a descarga
Quanto ao jogo... por favor. Ver um jogador que chegaram a cogitar para a nova seleção ter que rastejar para cabecear uma bola, um outro que era dito como salvação do meio campo errar todos os passes, tropeçar na bola mais que uma vez e destruir com todos os escanteios, ver a falta de um esquema tático, não ver um meio-campo funcionar e, ainda por cima, ter que torcer para isso. É dose, gremistas. É dose.
Aqui não julgarei culpados, mas fatos. E antes de meter o pau vou avisar que admiro os textos e as reflexões que faz jornalista Sérgi Martins nas reportagens sobre música na revista Veja. São críticas construtivas e que revelam uma realidade - às vezes notória - da música em diversos segmentos. Inclusive na ruindade.
O grosso modo, uma análise superficial diria que Martins se contém em quase que apenas evidenciar a pobreza musical que adentramos a cada dia. Mostrar a ruindade, a droga fônica, a miudez que cresce avassaladoramente na mídia. A tarefa parece ser somente dizer que, na música, só tem merda.
É verdade. Li nesses tempos a reportagem Rimas esdrúxulas em que se mostrava a pobreza dos letristas nacionais, com Pitty, Chorão, entre outros. Nem contamos o que, sim, é podre. Estamos falando do endeusado Rock. Contudo, li também outra reportagem que calcava nos malefícios que a música pode fazer, focando grupos que pregam determinadas coisas, como o racismo, o satanismo, enfim.
Acho que jugar a música através de crenças e gostos é um erro clássico. E se aproveitar de questões que, dependendo da maneira que são evidenciadas, podem se tornar alvo de repúdio popular - a tal opinião pública que não surge, se constrói - passa de crítica construtiva para crítica apelativa.
Independente do que se baseia os temas das músicas - e aqui noto que eu deveria ressaltar antes que não apóio nem o racismo, nem o satanismo, nem porra alguma - deve-se analisar a música em si. Só. É como não gostar de ouvir Malmsteen por ele ser o guitarista mais mala do universo ou como detestar Judas Priest por o seu vocalista, Rob Halford, ser gay.
Está na hora de não apelarmos e, parando com isso, não destruírmos.
Já estive no que considero o fundo do poço: a depressão. Uma época não muito distante, a qual a atrofiamento foi o principal que se abteu a este nobre cavalheiro. Bem longe disso estou vivendo hoje. Talvez, atualmente, somente uma certa insatisfação e um sentimento de que - sim - posso mais esteja em alto relevo.
Recentemente, o psicólogo Daniel Gilbert lançou seu livro O que nos Faz Felizes. A Veja publicou uma matéria sobre a obra e intitulou o texto com a frase "ilusões perdidas". É uma boa adequação. O livro - o qual me esmerarei para comprar - fala, entre outras coisas, do realismo. Gilbert afirma que os realistas (como eu) são vulneráveis a depressão.
É isso que vivo. Assim como diz na matéria, os realistas acabam fazendo um esforço enrome para encontrar o "lado bom" das coisas. Ao não encontrar... Considero o realismo uma vantagem. Deve-se, porém, dominá-lo. Acredito eu que a ferramenta que mais admiro não tenho domínio. Para isso, não vejo muitas dificuldades. Entretanto, deve ser uma tarefa que exige paciência.
E aí mora o perigo.
Juro que tentei buscar inspiração à altura do ocorrido e não encontrei. Quero somente registrar a morte de um amigo, pai de outro grande amigo.
Tio Dega, saudades teremos.
O meu problema gastro-intestinal dos últimos dias pelo menos rendeu uma boa frase encontrada no banheiro do restaurante O Garfão, em Novo Hamburgo. Após o Caco Marques (repórter e baterista) me perguntar se eu tinha me afogado, não resisti em reproduzir a sentença que estava grifada na porta da única privada do estabelecimento.
"É aqui que todo macho se caga".